Hipátia de Alexandria

    Muitos nunca devem ter ouvido falar dela, então no espírito do Dia Internacional da Mulher, vou fazer uma breve biografia!
    Hipátia nasceu em 370 (ou 355, não se sabe ao certo) em Alexandria, no Egito (sim, sim, aquela Alexandria famosa pela biblioteca e pelo museu, de Alexandre, o Grande e tudo mais). Ela era matemática, astrônoma e filósofa neoplatônica, mas se destaca principalmente por ser a primeira matemática que se tem conhecimento, e das boas.
   Filha de Téon, também renomado matemático, astrônomo e filósofo, e diretor da Biblioteca de Alexandria, Hipátia teve uma criação refinada primorosamente por seu pai. Além de transmitir seus conhecimentos nas áreas citadas, Teon ainda cuidou da oratória e retórica, muito importantes na época e, além disso, da preparação física da filha, mantendo o ideal de ter a mente sã em um corpo são. Basicamente, Hipátia foi criada pra ser uma pessoa ideal.
    E funcionou! Hipátia se tornou uma pessoa muito importante e influente nas áreas em que atuava, uma professora (e futuramente diretora) muito boa, no mesmo lugar em que estudara, atraindo pessoas de diferentes lugares (seu aluno mais célebre foi Sinesius de Cirene).
    Entre suas principais e mais conhecidas contribuições (apesar de grande parte ter sido perdida) estão estudos sobre a Álgebra de Diofanto, assim como comentários sobre matemáticos clássicos como Ptolomeu, investigações sobre a geometria de Euclides (escreveu um tratado junto com seu pai) e um interesse particular pelas cônicas (elipses, parábolas e hipérboles) de Apolônio. Basicamente, toda a pesquisa matemática de ponta de sua época. Além disso, ainda é responsável pelo desenvolvimento de instrumentos como o densímetro e o hidrômetro e alguns dizem até do astrolábio, mas há controvérsias.
    Apesar de viver numa época em que as mulheres tinham poucas oportunidades, Hipátia conseguiu se sair muito bem em um meio dominado tradicionalmente por homens. Reza a lenda que além disso tudo, ela era ainda uma mulher muito bonita e admirada, mas que quando questionavam por que jamais se casara, dizia que já era casada com a verdade.
    E aí vem o final trágico. Infelizmente. Hipátia era íntima de Orestes, prefeito de Alexandria e pagã, numa época em que o cristianismo lutava pela dominação e Alexandria era marcada pela violência. Por conta disso, sua morte é por vezes atribuída à religião e outras vezes a questões política, devido à disputa entre Cirilo, cristão fervoroso, e Orestes. De qualquer forma, o que aconteceu foi que um dia, no ano de 415, quando voltava do Museu, Hipátia foi atacada por um grupo de cristãos que lhe rasgaram a roupa e a mataram com ostras e pedaços de cerâmica, depois desmembraram seu corpo e queimaram. Um final terrível pra uma pessoa aparentemente tão boa. E depois dizem que hoje em dia o mundo está muito violento, pois me parece que já foi muito pior, ou se não igual.
    Em 2009, foi exibido no Festival de Cinema de Cannes o filme “Ágora”, de Alejandro Amenábar (o mesmo de Mar Adentro), que conta a vida de Hipátia, vivida por Rachel Weisz. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas fica aí, a quem interessar…

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2 comentários sobre “Hipátia de Alexandria

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