A Vida de Pi – O Livro, o Filme e a Polêmica

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Aviso: CONTÉM SPOILERS

   “A Vida de Pi” é um livro do autor canadense Yann Martel publicado em 2001. Ele se tornou bastante conhecido recentemente devido a sua versão cinematográfica. “As Aventuras de Pi”, filme dirigido por Ang Lee, foi vencedor do Oscar 2013 nas categorias de melhor fotografia e efeitos visuais (merecidíssimo) e indicado aos prêmios de melhor filme e melhor diretor, apesar de no Brasil terem dado nome de filme de sessão da tarde (é, pois é).
   O livro conta sobre a vida de Piscine Molitor Patel, um garoto indiano que pratica três religiões diferentes e cujo pai é dono de um zoológico. O primeiro terço do livro trata da infância de Pi, da origem de seu nome, das suas religiões e tudo mais e, apesar de mais lento, é bastante interessante. Nos dois últimos terços do livro seus pais decidem vender o zoológico e se mudar para o Canadá e o navio em que estão viajando, juntamente com alguns dos animais, naufraga. Pi sobrevive ao naufrágio se refugiando num bote salva-vidas junto com uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre chamado Richard Parker. Quem narra a história é o próprio Pi.

As capas lindas do livro.

As capas lindas do livro.


   Eu posso dizer que “A Vida de Pi” é um dos meus livros preferidos de todos os tempos e se um dia eu tiver um gato ele vai se chamar Richard Parker e se você só assistiu o filme, faça um favor a si mesmo e vá ler o livro AGORA! O filme é ruim? De jeito nenhum! A começar pela fotografia que é fantástica (e aquele tigre que é muito perfeito). É como sempre digo: vale o ingresso só pra você sentar lá e ficar olhando pra tela sem nem prestar atenção.
   Apesar de terem mudado algumas coisas, tirado umas e acrescentado outras (como aquele mini-romance), o filme é uma ótima adaptação do livro. Maaaaas, ainda assim, eu acho que se perde muita coisa. A sobrevivência do Pi no livro provoca muito mais aflição, muito mais agonia, ele passa por situações horrorosas e nojentas e, inclusive, um episódio bastante importante do final é completamente esquecido no filme.
   Além disso, o sentimento não é o mesmo. Não dá pra ter tanta noção do quanto a história é incrível. Por exemplo, no final, quando ele conta a outra versão, você percebe que o livro te dá evidências contra e a favor de ambas. Enquanto você tem um evento inacreditável como a ilha carnívora (a parte que achei mais incrível no livro e bem meh no filme), também tem ossos de pequenos animais (como os suricatos) encontrados no bote. No filme parece que a mensagem não foi exatamente a mesma, já que devido aos efeitos (a baleia brilha, tudo brilha) e à fotografia, você fica com uma sensação de que a coisa é muito mais irreal. Se for pra comparar, o filme (enquanto adaptação) dá só um gostinho superficial do que é o livro de verdade (como sempre, né?), mas não deixa de ser um filme muito bom.

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   Como já li faz um tempo, não consigo lembrar de tantas coisas, mas sei que fiquei muito triste de não ter com quem conversar sobre o livro. Conforme eu ia pensando a respeito, ia descobrindo uma coisa nova, uma interpretação nova, e isso é muito legal mesmo. E apesar de ele fazer uma ponte entre o final da história e a religião (ou a fé, mais precisamente), eu não acho o livro tendencioso, ele não quer te fazer crer em Deus nem nada do gênero, na realidade depende mais da sua interpretação do que de qualquer outra coisa.

pi4    Mas, mesmo sendo um livro fantástico, tem várias pessoas torcendo o nariz por preconceito. Quando o livro saiu, muita gente acusou o autor de ter plagiado o livro “Max e os Felinos” do nosso conhecido escritor Moacyr Scliar. Devo concordar que Martel foi bastante infeliz ao dizer que depois de ter lido uma resenha ruim sobre o livro de Scliar, concluiu que poderia aproveitar melhor a ideia, sugerindo que o brasileiro não era um bom escritor. Mas, apesar disso tudo, Moacyr nunca entrou na justiça e foi bastante razoável dizendo que ele não copiou seu livro, apenas usou a mesma ideia.
   Para quem não sabe, “Max e os Felinos” é um livro político, escrito durante a ditadura, que conta em sua trama principal sobre um menino que, fungindo da Alemanha nazista num navio com alguns animais de circo, naufraga e acaba num bote com um jaguar (mas essa é apenas uma pequena parte do livro). Vale a pena assistir ao vídeo abaixo, da L&PM Pocket, em que Scliar fala com suas palavras sobre toda a polêmica:


   Realmente foi uma situação chata, mas não julguem o livro pela postura do autor, please! “A Vida de Pi” é um livro ótimo, sim, e todo mundo devia ler. Aproveitem e, em vez de ficar de mimimi, leiam “Max e os Felinos” também!

   E pra fechar bem o post, olha que legal a premiere do filme em Paris, numa piscina:

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