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Anna e o Beijo Francês – Stephanie Perkins

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   Eu tinha ouvido falar bem desse livro algumas vezes, inclusive a moça da livraria disse que esse era o livro de cabeceira dela, então resolvi comprar de presente para a minha mãe. Isso já faz um bom tempo, mas resolvi dar uma chance só agora. Não que eu estivesse com as expectativas altas, já que a ideia que o livro passa é exatamente o que ele é: mé.

Muita gente que gosta do livro reclama da capa. Vai entender...

Muita gente que gosta do livro reclama da capa. Vai entender.

   Anna Oliphant (olha esse nome) é uma guria de Atlanta, Geórgia (EUA). Seu pai, que é descrito como um escritor bronzeado e de sorriso colgate de livros de gosto duvidoso em que sempre rola uma história de amor louco com final trágico (Se você pensou em Nicholas Sparks, parabéns! Pq o pai da Anna é literalmente uma descrição fiel do Nicholas Sparks.), a manda para estudar em um colégio para americanos em Paris, no último ano do colegial. Anna é uma menina muito chata e sem graça e aproveita uma oportunidade maravilhosa dessas pra ficar de “mimimi, classe média sofre”, basicamente (além de falar muito mal do seu pai em todas as oportunidades que tem, só pq ele é o Nicholas Sparks, Anna babaca). Em um dado momento, Anna conhece Étienne St. Clair, o cara mais lindo e cobiçado da escola (que tem sotaque britânico, hahaha, ai gente) e… nem preciso dar spoiler aqui, né?

Nicholas Sparks (na falta de uma foto dele mandando beijinho no ombro pras recalcadas).

Nicholas Sparks (na falta de uma foto dele mandando beijinho no ombro pras recalcadas).

   Entre o começo e o fim do livro existem personagens secundários muito chatos e alguns conflitos: o menino tem namorada, a amiga da Anna em Atlanta dá uma mancada com ela, o menino tem problemas familiares, muitas e muitas partes sobre como a Anna tem vergonha de fazer qualquer coisa pq não sabe falar francês (aliás, ela passa um ano todo morando em Paris e tendo aulas de francês e não aprende nada pq é babaca), a Anna fica com um menino estúpido sem motivo nenhum…
   Enfim, esse livro não acrescentou nada na minha vida, mas só demorou 2 dias pra terminar, então tudo bem. Mas, veja bem, o livro não é chato, dá pra passar o tempo, até traz amorzinho pro coração, só é extremamente previsível, mal feito e escrito para pré-adolescentes com muitos hormônios, e eu já passei dessa fase. Fora que tem o clichê mais sem fundamento que existe no mundo dos livros água-com-açúcar: pq o cara mais perfeito do universo (supostamente) se apaixona perdidamente (e de preferência à primeira vista) pela garota mais chata e sem graça que existe? Why, God, why?!?

Belo e Gracy aproveitando todo o clima romântico que Paris tem a oferecer.

Belo e Gracy aproveitando todo o clima romântico que Paris tem a oferecer. (É difícil arranjar imagem pra post de livro, sorry.)

   Outra coisa muito difícil de engolir é que assim que ela chega na escola, é recebida por uma garota super legal, que já a convida pra andar com os seus amigos, que coincidentemente são os mais legais de toda a escola (já que todos os outros personagens que aparecem no livro são pessoas horríveis que só querem seu mal), bem real mesmo. Ah é, o menino mais lindo, perfeito e cobiçado da escola faz parte do grupo deles. Que sorte, né?
   Algumas pessoas disseram que a descrição de Paris é incrível e dá muita vontade de conhecer, mas eu achei bem meia-boca. Da cidade mesmo ela só descreve o Panteão e Notre Dame, pq são dois dos poucos lugares que ela conhece de Paris o ano todo, pq ela é babaca. Uma parte legal é o choque de cultura entre americanos e europeus, só que ele nem faz tanto sentido assim quando a protagonista que fala deles é, na verdade, um estereótipo americano.
   Além disso, querida autora Stephanie Perkins, que coisa feia ficar criticando o Nicholas Sparks na cara dura, várias e várias vezes, quando seu livro é tão batido quanto os dele, né? Cadê espelho em casa?

Sério, moça, cadê espelho em casa?

Stephanie Perkins. Sério, moça, cadê espelho em casa?

   E, por último, pra fechar com chave de ouro, esse livro tem a pior tradução/revisão que eu já vi na vida! Juro por deus, é de chorar! Tem inúmeras partes em que você simplesmente não consegue saber quem tá falando, ou não consegue diferenciar fala de narração. Isso sem contar frases completamente sem nexo aparecendo toda hora. É de chorar.
   Desculpa, mãe!
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   Ok, ok, tô sendo muito malvada. Na verdade o livro é bem divertidinho pra quando você só quer relaxar e descansar a cabeça. De vez em quando faz bem. De vez em quando.

   Eu deveria ler?

Annasim
   Se você é uma pré-adolescente cheia de hormônios e se você não costuma ler muito ou só gosta de ler livros desse tipo, pq aí essas coisas provavelmente não vão te incomodar tanto. Se você só precisa se distrair um pouco e passar o tempo, pode ser também.

Annanao
   Se você já passou dessa fase, se nunca gostou de livros desse gênero ou se procura livros de mais qualidade, que realmente agreguem valor ao camarote.

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